Não é segredo para ninguém o time que torço, o Brasil. Tenho orgulho de usar vermelho e preto para ir aos jogos, de gritar até perder a voz para apoia-lo. Mas esse não é um texto sobre minha paixão pelo meu time, e sim sobre a paixão que deveria haver por outros times do interior (ok, um pouco sobre a minha paixão também).
Eu sei que a vida de um torcedor de um time pequeno não é fácil. As vezes sequer jogamos metade do ano e nossos times não são bons. É muito mais excitante torcer para um Internacional ou um Grêmio da vida, times que disputam campeonatos internacionais, enquanto nós ficamos com a 2a divisão gaúcha, a Copinha e no máximo uma série C do Brasileirão. E é por isso que eu admiro AMBOS os times de maior torcida de Pelotas, tanto o Brasil quanto o Pelotas. Sim, em certo ponto eu - que cresci aprendendo a odiar qualquer coisa que viesse do co-irmão - admiro a torcida do Pelotas.
Nossa cidade é uma das únicas conhecidas por não dobrar joelhos à capital, e isso é um motivo de orgulho. Nossa cidade é conhecida por encher estádios com sua própria torcida quando a dupla Grenal vem jogar aqui. Se existe algo que eu me orgulho de Pelotas é isso, e não sua fama pelos doces ou coisas afins.
Então analisamos o público da Série A do Gauchão - eu sequer falarei da divisão de acesso. Obviamente quando envolvida, a torcida da dupla enche os estádios, mas quando o jogo é no interior - entre times do interior - a média de público chega a ser deprimente. Sinceramente não venho acompanhando o campeonato como fazia em outros anos, talvez por meu próprio time não estar jogando ele, mas sempre que vejo algum jogo ou leio alguma notícia sinto-me envergonhada pelos times do interior. Envergonhada e com pena, pois sei bem como esses times sobrevivem na maioria das vezes: da renda do jogo. Então vemos uma equipe como o Canoas tendo uma média de 47 - sim, QUARENTA E SETE PESSOAS - por jogo. Nenhum time sobrevive com uma torcida de 47 pessoas por jogo. Concordo que assistir jogos como Canoas contra, sei lá, Veranópolis (que tem uma pífia média de 135 pessoas por jogo) é tortura, eu mesma já assisti jogos como Brasil x Sindicato dos Atletas - e não aconselho, principalmente no inverno e nas cadeiras.
Não sei se é o mítico clima esportivo de Pelotas que trás os torcedores para os estádios, mas eu realmente não compreendo como alguém não pode apoiar o time de sua própria cidade. A experiência de ver um jogo de futebol - mesmo que seja contra o Sindicato dos Atletas - no estádio é uma coisa divina. Meu primeiro jogo no estádio foi horrível, meu time perdeu de 3x0, caiu um temporal e na época eu tinha medo de trovões. Faltou luz e eu fui me refugiar do medo na sala de troféus do Bento Freitas. Foi em 2003, eu era uma menininha de 9 anos, mas eu me apaixonei. Aquela aurea, aquele espírito, é algo que a televisão não transmite. A sensação de se preparar um domingo todo para o jogo - desde envergar o uniforme, tirar a bandeira do armário, buzinar para outros torcedores, receber gritos de paixão, ganhar ou até perder o jogo - é algo que todos devem experimentar.
É algo que eu ensinarei para meus filhos: vai ao estádio, torce pro time daqui, seja sócio, vá aos clássicos da tua cidade, ajude o teu clube, ajude a tua gente. Meus bisavós ensinaram isso aos meus avós. Meus avós ensinaram isso ao meu pai. Meu pai me ensinou isso.
Érica
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